Carregando agora

Carnaval mais inclusivo: como tornar a festa acessível para crianças e pessoas com TEA

O Carnaval ocupa um lugar especial na cultura brasileira, marcado por sons intensos, cores fortes, muita agitação e grandes aglomerações. Para muitas famílias, é um momento de celebração e diversão. Para crianças e pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), porém, esse conjunto de estímulos pode provocar desconforto, ansiedade e sobrecarga sensorial.

Segundo especialistas, o excesso de estímulos comuns no Carnaval pode impactar diretamente o bem-estar de pessoas autistas. De acordo com o DSM-5-TR, manual diagnóstico utilizado internacionalmente, o TEA envolve diferenças no processamento sensorial, na comunicação social e na flexibilidade comportamental. “Sons altos, luzes fortes, contato físico inesperado e ambientes lotados podem ser vivenciados por pessoas autistas como extremamente aversivos ou desorganizadores”, explica a psicóloga da Abraço, Denise Ribeiro, destacando que essas características não são comportamentais, mas neurológicas.

Estudos apontam que pessoas no espectro apresentam maior sensibilidade a estímulos auditivos, visuais e táteis, além de maior vulnerabilidade ao estresse em ambientes imprevisíveis. “Essa hiper-reatividade sensorial pode desencadear crises, comportamentos de fuga ou estados de desligamento emocional, conhecidos como shutdowns”, afirma Ribeiro.

*Por que devemos falar de inclusão no Carnaval?*

Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de 1 em cada 100 pessoas está no espectro do autismo. Isso significa que milhões de crianças, adolescentes e adultos autistas fazem parte da sociedade e têm direito à participação social em condições de igualdade.
A inclusão vai muito além do acesso físico. Ela envolve adaptação do ambiente, previsibilidade, respeito às diferenças neurológicas e oferta de suporte adequado. Pesquisas na área da neurodiversidade mostram que ambientes mais previsíveis e com menor carga sensorial favorecem o bem-estar e a autonomia de pessoas autistas.

Do ponto de vista científico, alguns fatores são especialmente críticos para tornar o carnaval mais desafiador: a sobrecarga sensorial(com sons altos, luzes intensas, calor e cheiros fortes), imprevisibilidade de horários, percursos e movimentação, contato físico e interações constantes e a fadiga emocional, causada pela tentativa de mascarar comportamentos para se adequar socialmente.

A ciência aponta alguns caminhos para um carnaval inclusivo, pequenas adaptações que podem fazer grande diferença como: criação de espaços tranquilos ou áreas de descompressão, redução de som e luz em horários específicos e divulgação antecipada de horários, rotas e intensidade sonora. A permissão para uso de abafadores, óculos escuros e objetos de conforto e o respeito aos sinais de cansaço e ao direito de ir embora quando necessário também são importantes.

“Inclusão é ciência, não favor”, é o que reforça a psicóloga.

A abordagem contemporânea do autismo, baseada no paradigma da neurodiversidade, reconhece que o cérebro humano funciona de diferentes formas. A inclusão não busca mudar o indivíduo, mas ajustar o ambiente. “Promover um Carnaval mais inclusivo é alinhar cultura, ciência e direitos humanos. É garantir que todos possam participar da festa, cada um do seu jeito”, conclui Denise.

Por Comunicação Startup Abraço

Elissandra Santana

Servidora Pública, podcaster e apaixonada por histórias que misturam humor e reflexão. Criadora do podcast 'Quem Nunca?', onde aborda temas do cotidiano com leveza e inteligência, traz em seu programa um olhar único sobre a vida. Redatora do Portal Lagartonet. Quando não está trabalhando ou gravando, é possível encontrá-la rindo e buscando novas inspirações para suas criações.