Brincadeiras de um menino lagartense: jogo de botão
Venho relatar mais uma brincadeira tão comum entre os meninos de Lagarto entre as décadas de cinquenta e setenta do século passado. Trata-se do Jogo de Botão, praticado pela maioria dos meninos, haja vista a facilidade de se obter os instrumentos necessários à brincadeira que consistia de alguns botões, algumas tiras de madeira para fazer as traves, uma caixa de fósforos, um caroço de feijão ou milho e uma palheta para movimentar os botões; além, é claro, de um espaço demarcado às feições de um campo de futebol que poderia ser num chão liso ou mesmo em cima de uma mesa de jantar.
Naquela época já existia, para quem pudesse adquirir, o conjunto completo dos utensílios necessários para a realização da brincadeira, constituído do campo em compensado ou Duratex verde e demais peças: trave; bolinha; time completo de botões e a palheta.
O problema é que, para a maioria dos meninos de Lagarto da época, era quase impossível adquirir tais utensílios, fato este que desafiava a sua criatividade no sentido de conseguir, principalmente, os botões para viabilizar a brincadeira. Em função disso, os próprios meninos tratavam de fabricar os utensílios necessários para o jogo, tais como: Trave construída com pequenos pedaços de madeira, conseguida com algum marceneiro amigo, o goleiro, que era feito com uma caixa de fósforos revestida com goma e papel, geralmente com a foto de um goleiro famoso e, além disso, dos botões que apresentavam maior dificuldade.
Os botões, cujo nome fala por si mesmo, eram conseguidos através de alguns paletós velhos e sem serventia, onde naquela época, usavam-se grandes botões, os quais eram arrancados para servirem de jogadores na brincadeira. Mas era tarefa muito difícil, primeiro conseguir um paletó e depois que estivesse sem serventia, fato este muito difícil, pois duravam muito e os seus donos não o queriam sem os botões. Aí, vinha o desafio da criatividade dos meninos na sua fabricação que era viabilizada através do casco duro dos cocos utilizados largamente nos lares lagartenses na fabricação de cocadas e comidas diversas. Então, pegava-se o casco de coco bem seco e começava a passá-lo em superfície áspera, geralmente na calçada de cimento ou pedra de sua residência, a fim de conseguir dá ao casco, a forma de botão. Depois se passava cera para dar ao mesmo um brilho que o embelezava. Era trabalhoso, mas aqueles meninos que tinham essa paciência e capacidade ficavam orgulhoso daquilo que conseguiam fazer. Chegavam a fabricar e vender esses botões artesanais. Enquanto outros meninos que não tinham a mesma habilidade na feitura de botões, utilizavam fichas ou tampas de garrafas para funcionarem como botões. O que importava era participar da brincadeira.
Com todo o material pronto: os botões, a palheta, a trave, a bolinha e o chão ou uma mesa espaçosa com as devidas demarcações; os competidores, em dupla, iniciavam o jogo de botões que obedeciam, em geral, as próprias regras do futebol e tinham a facilidade de brincarem na calçada da rua, na varanda, numa mesa, na sua casa, na casa do seu amigo e/ou companheiro, pois cada um levava o seu time de futebol numa simples sacola ou caixa de papelão. Organizavam-se campeonatos entre os brincantes, e assim, se divertiam bastante.
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