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Iniciativa alinha-se às leis 10.639/03 e fortalece o letramento racial no ambiente escolar, preparando educadores para uma prática pedagógica equitativa

Em uma ação pioneira dentro da rede estadual de ensino, a Escola Estadual Augusto Maynard deu um passo significativo na corrida pela certificação no Selo Educação Antirracista Professora Maria Beatriz Nascimento. A instituição promoveu, no mês de janeiro, uma formação continuada para seu corpo docente que contou com a participação especial da afrocomunicadora, ativista doo MNU Sergipe e mobilizadores de adolescentes do Selo UNICEF, unindo três frentes essenciais para a promoção da equidade racial: a comunicação, o ativismo e a mobilização social.

A formação, que integra o calendário de ações preparatórias para a concessão do selo estadual, teve como fio condutor a aplicação efetiva da Lei Federal nº 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio . A formação buscou ir além da teoria, mergulhando em práticas de letramento racial que possam ser replicadas em sala de aula com os alunos.

“Não se trata apenas de cumprir um protocolo, mas de ressignificar o olhar do educador sobre a própria história e, consequentemente, sobre a identidade de seus alunos”, destacou Elissandra durante a atividade. A presença de um profissional que entenda do assunto é fundamental para mostrar como a comunicação pode ser uma ferramenta de empoderamento e de valorização da estética e da cultura negra, dialogando diretamente com os princípios do letramento racial .

O Selo UNICEF traz uma perspectiva adicional sobre a importância de engajar toda a comunidade escolar. Considerando que aproximadamente 80% dos alunos da rede estadual de Sergipe não se autodeclaram pardos ou pretos, ações como essa são vistas como essenciais não apenas para o reconhecimento, mas para a criação de um ambiente seguro e representativo . A mobilização social visa garantir que as discussões sobre raça e equidade ultrapassem os muros da escola e envolvam as famílias e o território.

Durante a formação, os professores da Augusto Maynard participaram de oficinas e rodas de conversa que abordaram desde o racismo estrutural e recreativo até a construção de projetos pedagógicos com protagonismo negro . A ideia é que o corpo docente se sinta preparado para identificar e combater práticas discriminatórias no cotidiano, além de inserir no currículo referências positivas da cultura afro-brasileira.

“Incentivos como este permitem que mais pessoas se sintam à vontade para poder trabalhar outras questões, já que vivemos em uma sociedade pluriétnica e pluricultural. É um respeito permanente para que possamos produzir cidadania”, destacou a coordenadora Danielle Sobral.

O Selo Educação Antirracista, instituído pelo Governo de Sergipe em 2023, visa justamente fomentar e reconhecer ações como essa. Diferente de uma premiação pontual, ele avalia a inserção de práticas de combate ao racismo e de valorização da diversidade no dia aia da escola . Para a edição atual, centenas de escolas estão pleiteando a certificação, e a Escola Augusto Maynard sai na frente ao investir na formação qualificada de seus professores com parceiros estratégicos.

Além do selo, o estado conta com um Protocolo Antirracista que orienta as escolas sobre como proceder em casos de discriminação, estimulando a prevenção e o enfrentamento ao racismo em suas diversas formas . A formação na Augusto Maynard também dedicou um espaço para a leitura e interpretação desse documento, garantindo que os professores saibam como agir na teoria e na prática.

Com a iniciativa, a Escola Estadual Augusto Maynard se posiciona como um território de equidade, reafirmando o compromisso com uma educação que respeita as diferenças e combate as desigualdades, na expectativa de ver seus esforços reconhecidos com a conquista do selo estadual.