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Defesa de Direitos das Mulheres Negras e da População Negra LGBTQIAPN+: enfrentando a violência interseccional no Brasil

Série Especial| Julho das Pretas

Em um país marcado por desigualdades históricas, as mulheres negras e a população negra LGBTQIAPN+ enfrentam formas múltiplas e sobrepostas de violência e discriminação. O racismo, o sexismo e a LGBTfobia, quando combinados, criam um cenário de violações intensificadas, que exigem respostas urgentes e políticas públicas efetivas.

A interseccionalidade — conceito desenvolvido pela jurista Kimberlé Crenshaw — nos ajuda a compreender como essas opressões não atuam isoladamente. Uma mulher negra lésbica, por exemplo, sofre discriminação não apenas por sua orientação sexual, mas também por sua cor e por seu gênero, o que a torna mais vulnerável à exclusão, à pobreza e à violência.

Segundo dados do Atlas da Violência (IPEA/FBSP), mulheres negras são as maiores vítimas de feminicídio no Brasil, e a população LGBTQIAPN+ negra enfrenta uma das taxas mais altas de assassinatos motivados por ódio. A negligência histórica do Estado agrava esse quadro, dificultando o acesso à justiça, saúde, educação e segurança.

Para a ativista e pesquisadora Eliane Oliveira, “a defesa de direitos precisa considerar quem são os corpos mais atingidos. As políticas públicas devem ser construídas a partir das experiências de quem vive essas intersecções.”

Além da violência física e simbólica, mulheres negras e pessoas LGBTQIAPN+ negras enfrentam barreiras no mundo do trabalho, na saúde reprodutiva, no acesso à educação e até dentro de movimentos sociais que muitas vezes negligenciam essas pautas.

A luta por uma sociedade mais justa passa pela visibilidade dessas vozes e pela valorização de suas trajetórias. O fortalecimento de coletivos de mulheres negras e de pessoas negras LGBTQIAPN+ tem sido fundamental para a criação de espaços seguros, redes de apoio e resistência.

Durante o Julho das Pretas, diversos estados brasileiros realizam eventos, rodas de conversa e ações voltadas à promoção de direitos e ao combate à violência racial, de gênero e LGBTfóbica. Essas iniciativas também buscam ampliar o debate sobre interseccionalidade e garantir que políticas públicas contemplem todas as dimensões da identidade de quem está à margem.

Por que isso importa?
A construção de uma democracia plena passa pelo reconhecimento de todas as formas de opressão e pela centralidade das vozes negras, femininas e LGBTQIAPN+ na formulação de políticas. Só assim será possível combater o genocídio simbólico e real desses grupos e garantir uma vida digna para todes.

Elissandra Santana

Servidora Pública, podcaster e apaixonada por histórias que misturam humor e reflexão. Criadora do podcast 'Quem Nunca?', onde aborda temas do cotidiano com leveza e inteligência, traz em seu programa um olhar único sobre a vida. Redatora do Portal Lagartonet. Quando não está trabalhando ou gravando, é possível encontrá-la rindo e buscando novas inspirações para suas criações.