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Violência contra a mulher não tem perdão e nem proteção de cargo público

Hoje eu não estou aqui apenas como uma mulher preta, como alguém que ocupa um espaço de fala. Estou aqui como uma mulher que enxerga em cada olhar assustado de outra mulher a história de muitas de nós.

O que aconteceu com a companheira do edil lagartense não é “briga de casal”. Não é “problema da porta pra dentro”. É violência. É crime. E o que torna isso ainda mais grave é quando o agressor é uma figura pública, alguém que deveria dar exemplo, que deveria proteger, e não agredir.

Eu pergunto: se um homem que tem poder, que tem mandato, que tem visibilidade, comete violência contra a mulher que está ao seu lado, o que esperar do anonimato? O que esperar dos becos escuros que a gente aprendeu a evitar? A violência começa assim: na certeza da impunidade.

Mas eu venho dizer: NÃO PODE FICAR IMPUNE.

Como mulher preta, eu sei o que é carregar o peso de ser silenciada. Sei o que é duvidarem da nossa palavra. Sei o que é nos dizerem que “é exagero”, que “é vitimismo”. Não é. É sobrevivência. É sobrevivência denunciar um agressor, principalmente quando ele tem nome, sobrenome e cargo público.

Essa violência não é um caso isolado. Ela é o retrato de uma sociedade que ainda ensina homens que eles podem tudo, inclusive levantar a mão para quem dizem amar.

E não quero que isso fique apenas nas redes sociais. Não quero que isso vire mais um post com “lacração” e depois seja esquecido.

Eu quero que a população entenda: violência contra a mulher é REAL. Ela acontece em todas as cores, em todas as classes, em todas as profissões. Pode acontecer com a sua filha, com a sua mãe, com a sua vizinha, com você.

A impunidade é o combustível da violência. Quando um agressor não é punido, ele não aprende. E pior: ele ensina outros homens que pode.

Por isso, meu pronunciamento hoje é um chamado. Um chamado à Justiça, para que faça o seu papel. Um chamado à Câmara, para que se posicione. Um chamado à população, para que não naturalize, para que não relativize, para que não diga “em briga de marido e mulher não se mete”.

METE SIM. SE METE. PORQUE A VIOLAÇÃO É DE TODA SOCIEDADE.

E que fique registrado: essa mulher não está sozinha. Nenhuma de nós está. E o agressor, independente de quem seja, tem que responder. Tem que ser responsabilizado. Porque o cargo que ele ocupa não é escudo. O poder que ele tem não é salvo-conduto.

Violência contra mulher é crime. Sem perdão. Sem proteção. Sem impunidade.

Que essa dor não seja em vão. Que essa história não seja mais uma estatística esquecida. Que ela sirva para mudar consciências, para encurtar distâncias entre a agressão e a punição.

Elissandra Santana – Afrocomunicadora

Se você ou alguma mulher que você conhece está sofrendo violência, denuncie. Ligue 180. A denúncia salva vidas.

Elissandra Santana

Servidora Pública, podcaster e apaixonada por histórias que misturam humor e reflexão. Criadora do podcast 'Quem Nunca?', onde aborda temas do cotidiano com leveza e inteligência, traz em seu programa um olhar único sobre a vida. Redatora do Portal Lagartonet. Quando não está trabalhando ou gravando, é possível encontrá-la rindo e buscando novas inspirações para suas criações.